Alunas de EAD produzem geleia de pimenta e produto cai no gosto popular

por Rebeca publicado 13/11/2019 09h30, última modificação 13/11/2019 09h30
O que era para ser apenas um produto de sala aula virou o case de sucesso do curso subsequente Técnico de Agropecuária na modalidade de Educação a Distância do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR). Trata-se da geleia de pimenta produzida por um grupo de estudantes do polo da sede do Amajari, noroeste de Roraima.
Alunas de EAD produzem geleia de pimenta e produto cai no gosto popular

Alunas Vilma Moreira, Ildemárcia Franco e Edileia Araújo

O que era para ser apenas um produto de sala aula virou o case de sucesso do curso subsequente Técnico de Agropecuária na modalidade de Educação a Distância do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR). Trata-se da geleia de pimenta produzida por um grupo de estudantes do polo da sede do Amajari, noroeste de Roraima.

Formado pelas alunas Edileia Araújo, Ildemárcia Franco das Neves, Vilma Conceição Moreira e Rafaela Queiroz, o grupo teve a ideia de produzir a geleia durante as aulas da disciplina Agroindústria Familiar, ofertada no primeiro semestre de 2019. O professor desafiou os alunos a apresentar um produto em conserva.

Vilma Moreira, Ildemárcia Franco e Edileia Araújo
Vilma Moreira, Ildemárcia Franco e Edileia Araújo

Produzida a partir de pimenta, abacaxi e açúcar, o produto surgiu inicialmente como compota de pimenta com maçã, mas, por ter ficado muito picante, as alunas, capitaneadas por Ildemárcia, acharam que precisavam deixar o produto mais agradável ao paladar. Foi quando substituíram a maçã pelo abacaxi. Não deu outra. A geleia ficou saborosa e caiu no gosto popular.

Hoje a produção é comercializada nos principais eventos pedagógicos do campus e até na feira do município. O pote, com 140 ml, é vendido por R$ 5,00 e tornou-se a fonte principal de arrecadação de recursos para a formatura da turma de 14 alunos, que deve ocorrer no fim de 2019. Na etapa dos Jogos de Integração dos Servidores no Campus Amajari, algo em torno de mil unidades do produto foram entregues aos participantes.

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Preparação do produto

O curso técnico tem feito a diferença na vida de muitos alunos. Casada, mãe de dois filhos, um deles estudante do CAM, Ildemárcia é moradora da sede do Amajari há 23 anos e diz ter encontrado no curso de EAD uma fonte de inspiração para o seu dia a dia. “Para mim está sendo maravilhoso. Tem a Ildemárcia antes e depois do curso. O curso revigorou a minha vida, porque eu estava precisando tanto dele quanto dos meus colegas”, afirmou.

Ela disse ainda que a oferta do curso foi uma espécie de libertação pessoal, pois, como está desempregada, passava o dia em casa, sozinha, pensando no que fazer, já que existe carência de faculdades e cursos no município. Hoje Hildemárcia tornou-se incentivadora da turma de 14 alunos e a que mais “pega no pé” para que ninguém desista, falte à aula ou deixe de realizar as atividades pedagógicas.

Sobre o futuro, já que a turma deve se formar até dezembro, depois de um ano e meio de aulas, ela comenta que a perspectiva é que o Campus Amajari oferte mais oportunidades. “Se tiver curso para fazer, ainda mais se for superior, eu estou lá. Quero fazer. E com vários projetos na área da pimenta”, brincou, sem descartar a ideia de o grupo continuar a produção de geleia pós-curso como forma de empreender.

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Preparação do produto

Quem também comentou a satisfação de fazer parte do grupo que deve fazer história na EAD foi a professora da rede municipal de ensino do Amajari Vilma Conceição Moreira. Casada, mãe de quatro filhos, ela morou por mais de uma década na Vila do Trairão e há seis anos reside na sede do Amajari.

Por ser filha de agricultor, o curso Técnico em Agropecuária surgiu para ela como uma complementação na vida familiar e pessoal. “Os conhecimentos adquiridos vão ajudar meus pais, minha irmã, que moram no Trairão. Digo aos meus alunos que fui da roça, hoje sou formada, estou no IFRR. Hoje (dia produção da geleia para a matéria) fui avisar que estaria fazendo a geleia, que eles deveriam ficar quietinhos, e eles disseram: “Tia, tu és exemplo”. Então, isso é melhor do que o salário que eu ganho no fim do mês, que é teu aluno te olhar como exemplo”, disse emocionada.

Na avaliação de Vilma, a oferta de cursos é uma forma de contribuição e incentivo do IFRR para moradores de localidades distantes melhorarem de vida. “Que fique para os outros que vierem estudar que a EAD não é apenas um curso a distância. Não é. Ela vem para te ensinar, te ensinar que você pode ser capaz de produzir, de trazer para sua vida produtos como a geleia de pimenta”, disse, complementando que outra conquista foi o elo entre os alunos. “Vamos sair do curso com uma amizade que vai ficar para sempre. E quem trouxe isso? O IFRR!”, comemorou.

 Produto embalado e sendo comercializado



Beneficiamento de alimentos melhora qualidade de vida das famílias e da comunidade

 

Na disciplina Agroindústria Familiar, alunos do curso subsequente Técnico em Agropecuária na modalidade de Educação a Distância do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima aprendem sobre beneficiamento de alimentos. Esse processo permite preservar o valor nutricional e sua vida útil, além de agregar valor ao produto. A preservação de alimentos pode ser feita artesanal ou industrialmente.

De acordo com o professor da disciplina, Patrício Ferreira, o objetivo da disciplina é fazer com que o aluno compreenda os princípios do beneficiamento dos diferentes alimentos de origem animal e vegetal, buscando tecnologias economicamente viáveis às demandas regionais, visando à melhoria da qualidade de vida das famílias e da comunidade onde vive.

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Alunos em aula presencial

A ideia da geleia de pimenta surgiu depois de um desafio do professor aos alunos durante aula prática sobre conserva de pimentas, e as utilizadas foram as do próprio campus, que estava tendo alta produção. “Ao observarem que muitas pimentas seriam perdidas, os estudantes tiveram a ideia de fazer um produto diferenciado, no caso a geleia com pimenta, e, utilizando os princípios de empreendedorismo, pensaram em comercializar, na feira livre e nos eventos do Instituto Federal, não apenas a geleia, mas também doce de leite, conserva de pimenta e outros produtos,” disse o docente.

Na avaliação do professor, o resultado foi bastante surpreendente, pois os alunos da turma puderam colocar em prática o que tinham visto em sala de aula e mostraram características empreendedoras. “Entre os produtos comercializados, a geleia com pimenta foi o que mais fez sucesso. Demonstrou ser viável a criação de uma agroindústria na região, porque toda a produção foi vendida rapidamente na feira. Então, nós observamos que tem um nicho grande de mercado em relação a produtos regionais agroindustrializados”, comentou Ferreira.

Sobre a importância na oferta de cursos na modalidade de Educação a Distância, o professor afirmou ser fundamental, pois permite que o IFRR chegue a lugares e regiões de difícil acesso, que a instituição não conseguiria alcançar na modalidade tradicional. E chegar a lugares distantes representa uma oportunidade para pessoas que não teriam condições de deixar suas localidades para fazer um curso, seja por questões familiares, de trabalho, seja por falta de condições financeiras.

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Alunos ajudando na produção da geleia de pimenta

 

Campus Amajari está presente em cinco municípios com sete polos de EAD

 

Sete comunidades dos municípios Amajari, Boa Vista, Alto Alegre, Normandia e Uiramutã têm polos instalados pelo Núcleo de Educação a Distância (Nead) do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR). Está em andamento o curso subsequente Técnico em Agropecuária.

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Alunos em aula presencial

A previsão é que o curso, que iniciou suas aulas no segundo semestre de 2018, seja finalizado em dezembro deste ano, dentro do período programado. No total são 115 alunos matriculados nos polos das sedes do Amajari, de Normandia e de Uiramutã, e nas localidades do Truaru da Cabeceira (Boa Vista), Taiano (Alto Alegre), Araçá da Serra e Raposa (Normandia). Uma das características desses polos é que apenas os das sedes não estão em áreas indígenas.

 

Rebeca Lopes
Ascom/IFRR
Fotos: Gildo Jr
12/11/19

CGP